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Visto que o meu último post foi feito em Janeiro (já lá vão... 4 meses?!) apercebi-me que deixei passar demasiadas oportunidades de fazer reviews de álbuns um a um, pelo que me parece que a melhor alternativa é fazer um post com o balanço das edições que ouvi até agora.

Obviamente, houve vários álbuns que foram editados e eu nem me apercebi. O problema dos sites / blogs de notícias é que postam tanta informação que a certa altura simplesmente deixo de processar, e depois escapam-me coisas importantes. Se acham que não inclui aqui o melhor álbum do ano até agora e que devia totalmente ouvi-lo, digam-me. Claro que há trabalhos que ouvi este ano e que não vou mencionar neste post, mas tenho noção de que tem saído muita coisa que ainda não ouvi.

O meu último post, sobre as minhas expectativas para 2013, listava vários álbuns que estava ansiosa por ouvir. Outros, não estão nessa lista e acabaram por ser agradáveis surpresas. Vamos então a cada um deles.

Beware Jack Coisas de 1 Porco

Beware Jack - Coisas de 1 Porco

O novo álbum de Beware Jack, com este título estranho, teve até direito a video promocional. E muito bem, porque este álbum foi uma das melhores surpresas de 2013.O álbum tem um registo semelhante ao "O Mundo É Meu", portanto quem gostou do álbum anterior, muito provavelmente vai gostar deste também. Beware Jack tem uma abordagem à escrita que me faz lembrar o Kilú - o que é engraçado, porque o Kilú participa neste álbum como produtor - mas mais refinado, com um propósito mais demarcado. A escrita de Beware Jack não quer ser óbvia, pretende apenas desenhar os traços gerais da ideia que quer passar e cabe ao ouvinte completar com os detalhes. Por outro lado, o flow é dos mais únicos na tuga: tranquilo mas emotivo, o próprio flow conta uma história. Isto, aliado a uma produção que em tudo é perfeita para o tipo de rap que faz, acaba por resultar num trabalho sólido e super interessante. Os únicos aspectos negativos que tenho a apontar são a intro (o conceito é demasiado forçado e óbvio e não o associo à escrita mais subtil do Beware) e a faixa "Bad Luck Show Me Love", com a participação de Lady M, cujos problemas de métrica nas rimas tornam a faixa penosa de se ouvir. O beat também parece totalmente desenquadrado do resto do álbum. Por outro lado, as participações de Praso, Blasph e Lancelot estiveram on point. Por fim, quero destacar a faixa "Modelo Pirata" pelo simples facto de que é a "prova viva" de que é possível fazer sons de intervenção social que não são uma seca e a repetição de todos os outros sons anteriores feitos sobre o assunto. Fazer sons de intervenção social toda a gente faz, mas sons que soam únicos, que não são só dizer "ahh não temos dinheiro, o governo é mau"? Não é para todos. Parabéns também ao DJ Yoke pela excelente performance na produção e nos pratos.

O álbum pode ser sacado no Bandcamp, mas não sei porquê, não nos dá a opção de comprar :(




AVC - Bagaço, Ovos-Moles & Diplexil

Este álbum estava na minha lista dos mais aguardados mas acabou por não corresponder às expectativas. Não tenho qualquer dúvida que este estilo de música agrada a muitos - afinal de contas, músicas sobre estar bêbado, mocado e comer gajas num embrulho de punchline é provavelmente o tipo de rap mais apreciado em geral. Mas até rap "safoda style" e de avacalho pode ser melhor ou pior executado. "Bagaço, Ovos-Moles e Diplexil" tem mais feeling de mixtape do que de álbum no sentido em que parece que juntaram várias faixas que foram fazendo ao longo do tempo ao invés de terem trabalhado num álbum de raiz - não formam um conjunto coeso, não fazem uma unidade. Por outro lado, os próprios MCs parecem desencontrados a nível de tipo de escrita e arrisco mesmo dizer de skill. "Eu sou tipo uma galinha, a tua mãe é milho / e o teu pai dá-lhe com o cinto / granda cabrão / ainda ontem a montámos em dupla penetração" não está lá muito bem alinhado com, por exemplo "Não sei se fale da tua irmã / é o corpóreo de Satã / gosta de trincar a maçã / no trabalho de ancas sai à mamã". Ser-se boçalmente ordinário ou inteligentemente indecente são duas abordagens absolutamente válidas em si próprias, mas não são a mesma coisa e não combinam necessariamente bem uma com a outra. Qualquer um pode ser badalhoco mas sê-lo de forma inteligente e engraçada requer uma capacidade de escrita mais apurada. Esta disparidade de registos afecta o álbum como um todo e, entre rimas e instrumentais, acabo por não gostar de alguma coisa em cada som. No geral, esperava pelo menos uma ou duas faixas em que Haka, Spasm e Sarcasmo saíssem daquilo que é tradicionalmente AVC e nos dessem um bocado mais daquilo que cada um já mostrou ser capaz de fazer nos seus álbuns a solo. "Bagaço, Ovos-Moles e Diplexil" é um álbum que ouvi apenas uma ou duas vezes pelas referências e dicas pontuais que de facto são engraçadas e bem pensadas, mas de resto não me parece que vá ouvi-lo de novo. Espero melhor dos futuros álbuns a solo.

Álbum no Bandcamp para quem quiser ouvir e sacar.




Damani Van Dúnem - Statu Quo

Esta foi outra das surpresas deste ano. Damani Van Dúnem sempre teve um estilo de música muito próprio e até experimental em várias situações (quem é que se lembra da "Betadine"? :P) e não posso dizer que tenha gostado sempre do que ele fez. Mas este álbum tem o meu selo de aprovação. Está muito maduro, muito bem trabalhado, quer a nível técnico, quer a nível artístico. Sente-se que Damani investiu imenso neste álbum, sente-se a alma e dedicação dele em cada música. A minha música favorita é, claro, o single "Fashionista" - a mensagem é tão realista e tão bonita ao mesmo tempo! Aliás, a esmagadora maioria das músicas consegue aliar uma escrita muito consistente a uma musicalidade agradável, conseguindo por vezes incluir referências culturais das quais tinha algumas saudades e também uma certa "moral da história" (como por exemplo em "Aghatussi" ou "Aki na Banda"). Mais uma vez, notem que músicas de intervenção social ou de "observador social" não têm de ser sempre o mesmo formato e podem ser bem feitas como podemos ouvir na "Ma Trip". Outra das minhas favoritas é a "Afri Can" pela escrita, pela mensagem, pelo instrumental... enfim, por tudo o que compõe este som! É uma perspectiva ligeiramente diferente da habitual e com muito mais valor por causa disso. De negativo só tenho a apontar as aparições do autotune (como na "Dá-me Money") que, pessoalmente, considero totalmente dispensáveis.

O álbum é produzido em grande parte pelo Celso OPP e que óptimo trabalho ele fez aqui!

Statu Quo pode ser ouvido e sacado no Bandcamp.




Stray - Coraçãozinho de Satã

Bem a par com a minha fama de só gostar de rap indie, tinha expectativas de gostar bastante deste álbum, especialmente porque ouvi o single "Coraçãozinho de Satã" alguns dias antes do lançamento e gostei bastante da combinação instrumental / tema. Sempre gostei muito da escrita do Stray mesmo antes de ele entrar na Matarroa e o facto de ele não ter problemas, enquanto artista, em mudar de sonoridade, experimentar diferentes tipos de instrumentais, diferentes abordagens, é algo que sempre considerei positivo nele enquanto artista. Claro que isso acarreta o risco de não gostar sempre do resultado dessas experiências. Enquanto que "O Diabo" me encheu as medidas (especialmente a música "Akuma" que está simplesmente brilhante), "Coraçãozinho de Satã" ficou muito aquém. A produção de Keyboard Kid sem dúvida que dá grande peso ao álbum mas os temas e a escrita de Stray foram além do abstracto em direcção ao sem sentido. É difícil encontrar o propósito, a mensagem ou mesmo a ideia por trás dos versos. Os nomes das músicas, referências ao universo nerd (Dragonball, Star Wars, etc), parecem não ter muito a ver com o conteúdo da música em si. E a cena de rimar a duas vozes (parte com a voz normal, parte com voz distorcida), que eu teria desconsiderado de todo se acontecesse só numa faixa, quando feito no álbum todo soa-me menos a referência e mais a cópia do Tyer, the Creator. Claro que se pode argumentar sempre que o Tyler não foi o primeiro a incorporar vozes diferentes para "personagens / personalidades" diferentes (Madlib anyone?) nem é o único com direito a fazê-lo. Mas com tudo isto combinado fico a questionar-me onde é que este álbum queria chegar ou se era suposto chegar a algum sítio sequer.

Como aspectos positivos neste álbum há que mencionar os instrumentais, conforme dito anteriorment, e as referências / metáforas inteligentes que se apanham aqui e ali. Esta álbum conta também com a participação de Manuel Cruz (faixa "Âncora") e dos jinxies J-K e Pulso. Álbum disponível no Bandcamp.




Taseh - Dekotora

O único álbum instrumental da lista vem também da crew Monster Jinx. Um bom resultado da diversidade sonora desta net label e um dos melhores trabalhos de electrónica/dubstep que ouvi este ano. Taseh mostra em Dekotora que é mais do que merecedor do título de vencedor do DMC e do IDA PT. O álbum abre em grande com um dubstep daqueles bem puxados e depois progride para várias facetas da música electrónica, não necessariamente à base de baixos para rebentar colunas, mas conseguindo manter aquela faísca de épico em cada faixa. Qualquer faixa deste álbum é capaz de mandar a casa abaixo no meio de um DJ set e só tenho pena que sejam apenas sete faixas. No entanto, são sete faixas que se conseguem ouvir em repeat um dia inteiro sem cansar e se são fãs do estilo, vão fazê-lo com certeza.

Dekotora pode ser ouvido e sacado no Bandcamp.

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